Flash! Você ainda vai ter um?

Primeiro um pouco de história. Quando comprei a minha primeira câmera, uma Panasonic FZ5, a única possibilidade de utilização do flash era o embutido. Não gostei das fotos feitas com flash. Depois assisti a uma palestra do Flavio Damm e ele disse que nunca utilizava o flash (utilizou apenas em uma ocasião onde era de noite e não havia iluminação alguma). Passei algum tempo a pensar que flash era besteira, uma luz dura e frontal que tirava o relevo e deixava uma sombra na parede. Mas o tempo passa e descobri outras formas onde o flash poderia ser um grande auxiliar na iluminação, mas não utilizado apenas na sapata da câmera. Também sem fio, por rádio ou controlado pela própria câmera. Então, para a compra da minha próxima câmera, um do requisitos era a possibilidade de controlar outros flashes com a própria câmera e sem a necessidade de utilizar outras engenhocas, já que qualquer câmera pode utilizar um controle de rádio para disparar outros flashes. Foi uma das características que me fizeram optar por uma Pentax K10D.

Resolvi comprar um flash. O orçamento destinado para tal permitia um AF 540 FGZ ou dois AF 360 FGZ. As duas opções têm suas vantagens e desvantagens e acabei achando que deveria adquirir apenas um 360 FGZ, pelo menos por enquanto, e gastar algum dinheiro com outras bugigangas. Abaixo fica um relato de algumas experiências feitas com ele.

Uma das características do equipamento é que o flash embutido da câmera pode ser utilizado apenas para controlar o flash escravo ou pode ser utilizado também para ilumina o assunto. Abaixo o exemplo do resultado das duas configurações. Sim, a mesa tem bastante poeira e não é por relaxamento. É que estão lixando e (re)pintando as aberturas e alvenaria para conservação. Nem é necessário dizer qual das fotos o flash da câmera foi utilizado para iluminar o objeto.





A foto abaixo foi feita utilizando o flash contra uma parede clara com o intuito de deixá-la branca (estourada) e o flash da câmera para iluminar o objeto. Ficou uma vinheta na foto que foi facilmente retirada.

Wireless

Aqui vale um parênteses. É muito legal utilizar o flash sem fio mas também é importante lembrar que a gente perde uma mão e algumas opções ficam bastante complicadas (não lembro alguém ter falado sobre esse fato). Opções simples com zoom, foco manual, pressionar alguns botões, etc, ficam bastante prejudicadas. É necessário cuidado para não deixar o flash cair, um bolso grande para guardá-lo temporariamente, um auxiliar, uma cordinha para amarrar o flash ao pulso, etc.

Mas o flash também não é indicado apenas para trabalhar sem fio. Na sapata da câmera se demonstrou bastante eficiente na iluminação de cenas internas e externas. Em ambientes internos, a utilização do flash rebatido propicia uma iluminação mais difusa e muito boa. Não tive problemas na primeira utilização, mas pode ser interessante a utilização do 540FGZ em vez do 360FGZ, não só pela potência mas por possibilitar o giro do flash na horizonta e vertical. Para uma foto no formato retrato é impossível rebater a luz no teto se ele não girar na horizontal. A foto abaixo ilustra uma situação onde a utilização do flash externo na sapata e rebatido propiciou uma boa iluminação para a cena (é possível ver o flash rbatido no teto e também foi rebatido no cartão).



Para fotos contra-luz, o flash também pode ser utilizado como luz de preenchimento de forma eficiente. Como o flash sincroniza com velocidades superiores a 1/125, ele pode ser utilizado mesmo com uma iluminação forte no ambiente ou para distâncias onde o flash da câmera não alcançaria. Em evento recente diurno resolvi levar o flash e, graças a ele, algumas fotos foram possíveis. Na realidade até poderiam ser feitas, mas exigiriam um trabalho na edição para recuperar os detalhes nas sombras ou a perda de detalhes dos locais iluminados.





A luz para iluminação auxiliar é de grande ajuda e bem melhor que o flash da câmera para auxiliar no foco com pouca luz. A foto abaixo foi feita com foco automático e totalmente no escuro.



Finalmente a grande utilidade, eu diria essencialidade, do flash é para fazer macros. Quanto mais próximos chegamos da relação 1:1 na macro, mais complicado vai ficando. A profundidade de campo fica bastante reduzida e a utilização de aberturas pequenas é quase obrigatório. Com aberturas pequenas a iluminação deve ser boa para que a foto não saia tremida, mesmo com a estabilização no sensor da K10D. Utilizar uma 100mm em 1/50 e uma grande ampliação não é uma tarefa das mais fáceis. Utilizando o flash no modo wireless, mesmo ficando restrito a uma velocidade de 1/125 (note que com outro flash na sapata da câmera é possível sincronismos em velocidades mais altas, como 1/1000), já é o suficiente para garantir um grande percentual de acerto nas fotos. O livre posicionamento do flash permite mais facilmente conseguir uma iluminação desejada ou mais adequada.





Já é possível ter uma noção do que pode ser feito com apenas um flash. Com dois ou mais, as possibilidades também aumentam e permitem uma iluminação portátil bastante eficiente em diversos casos. Se você já tem flash externo, o artigo pode ser bobo. Se você não tem, pense com carinho na possibilidade de comprar um. Como não possuo, não posso afirmar, mas existem outras possibilidades como o Metz ou Sigma que também podem trabalhar sem fio com a K10D e podem ter um preço um pouco mais em conta.

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4 opiniões sobre “Flash! Você ainda vai ter um?

  1. Ola Guaracy,
    interessante seus comentários. Eu também tenho uma pentax (não uma k10D mas uma *ist dl) e um 360FGZ. Comprei também um trigger wireless da cactus para ativar o flash. Ainda não tive tempo de me dedicar aos testes pois estou numa roda vida no trabalho/estudo que não está brincadeira.
    Eu não consigo ver muita diferença quando diminuo o power do flash … nem quando baixo para 1/32 .. devo estar fazendo algo errado. (Coloco no manual, aperto o “s” e “rodo” o wheel até chegar em 1/32…. ) mas não vejo diferença alguma 😦
    Alguma sugestão?

  2. Oi Guilherme.

    O que significa, exatamente, não ver diferença alguma? Em 1/1 ou 1/32 a foto fica bem exposta, superexposta (muito clara) ou subexposta (escura)?

    O que aconteceu aqui é que no primeiro teste com o flash no manual, a foto ficou praticamente branca (estourava). É necessário afastar o flash e/ou diminuir a abertura da objetiva. Depois de acertar os parâmetros, a diferença pode ser vista.

    Para trabalhar com o flash no manual, o ideal é a compra de um fotômetro. Ou conseguir uma tabela que informe distância, potência, velocidade, ISO e abertura. Acho que com um pouco de prática se chega ao resultado com relativa facilidade.

  3. Olá Guaracy,
    primeiro peço desculpas pela demora em responde-lo.

    Eu fiz um experimento, sem muita base científica, e descobri que se eu uso o trigger remoto (como minha máquina é uma ist dl e não tem wireless build in, usei uma unidade da cactus) vejo uma visível diferença entre o 1/1 e o 1/32 de power…. mas quando uso a sapata da máquina não tem diferença… fico pensando que a máquina pode estar “contornando” os settings do flash.

    Notei que, mesmo setando o flash para “M” para escolher o 1/32 do power e pressiono o shutter release ao flash vai, automaticamente, para “P-TTL”…. como faço para que isso não ocorra? Alguma sugestão?

    Abraço

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