Imagens na web? Só para ter uma noção. (desinformação II)

Já coloquei na entrada desinformação que só confio em sites dos autores ou em sites que referenciam a informação, isto é, coloquem o endereço da fonte quando estão falando de terceiros. O texto é um dos problemas que podem levar o usuário a falar besteira.

Mas o título fala de imagens. Qual o problema que elas podem trazer para desinformar o leitor? Bem, vai depender do tipo de informação que o usuário está buscando. Se formos ver um livro sobre fotografia, é bem provável que ele tenha passado por um crivo técnico, inclusive com a possibilidade de participação do autor da fotos em diversas etapas do processo. Assim podemos ter uma impressão que é igual ou bastante próxima do original. Teríamos apenas os nossos problemas de visão e/ou iluminação que poderiam acarretar alguma diferença.

Mas na web, o controle de qualidade não existe. Principalmente quando se trata de sites de terceiros, fóruns etc. Como saber se o que estamos vendo corresponde ao original ou não? Bem só conhecendo o original ao vivo. Sem falar em casos como corte ou adulteração na imagem, existe o problema na fidelidade da reprodução. Pode ser intencional ou não.

Vendo a entrada do Blake Andrews, resolvi ver ao vivo por aqui. Que tal começar com uma imagem do Gordon Parks. É uma foto em preto e branco. Não deve ter tanta diferença. Vamos lá….(clique nas imagens para ver em tamanho grande)

Putz. Nas primeiras sete imagens já temos uma diferença incrível. Não apenas de contraste como de cor. Será que alguma corresponde a imagem original? Aí eu imagino alguém que ouviu falar no sistema de zonas do Ansel Adams e resolve procurar mais informações e imagem para ver o resultado. Provavelmente ficará perdido, confuso e vai dizer que foi tudo intriga da oposição.

Mas lendo o artigo do Blake Andrews, achei que havia uma imagem muito diferente das outras (apesar de todas serem diferentes). Uma pesquisa para ‘Merced River’ do ‘Stephen Shore’ resulta diferenças gritantes. Parecem nem ser a mesma foto.

Que tal ‘O grito’ do ‘Edvard Munch’? O resultado também é espantoso. Temos todas(?) as variações possíveis.

Solução? Nenhuma simples. Desconecte-se, vá em exposições, leia livros, veja televisão (já viram as diferenças entre as tvs quando estão várias ligadas em uma loja?), vá passear com seu filho na praça ou providencie um, ou não. Sei lá. Para soluções menos radicais, o melhor é ir no site do autor, se tiver. Não é certeza de que você irá ver a imagem conforme o autor deseja, mas deverá ser o mais próximo. Mas seja inteligente e criterioso com as informações que chegam até você. Procure sempre fontes confiáveis.

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6 opiniões sobre “Imagens na web? Só para ter uma noção. (desinformação II)

  1. Caro amigo,
    agora passeio na praça com o Gabriel, meu neto, quando ele me dá uma colher de chá e passa por aqui.
    Pobres autores, isso é desinformação. Pobre Munch!
    A rede é complicada, mas sabendo garimpar e encontrando as fontes confiáveis, ela, a rede, pode se mostrar pródiga.
    Bom post!
    Ab.

  2. Eu gostei do grito na versão Homer. 🙂

    Há possibilidade de navegar em alguns poucos sítios de museus, que possuem reproduções fiéis de suas obras expostas.

    • Acho que só vendo o original para termos mais certeza, mas…..
      em imagens coloridas, apesar de que não deveria, pode haver alguma mudança no perfil de cor. O fato de monitores diferentes e com/sem calibragens diferente também pode influenciar. De qualquer forma, nada justificaria as diferenças existentes. Seria só uma cópia de bits e deveria permanecer igual. Imagina se a cada cópia de um programa ou música ela sofresse alterações.

  3. O alerta é relevante, mas não retiremos o valor do acesso fácil na internet.
    E, reconheçamos, temos que relativizar: a foto de 1800 e tal já não é mais a mesma hoje, o próprio tempo altera o original…

    • ‘Guina’, primeiro gostaria de agradecer o teu comentário e dizer gostei muito do teu blog A Foto Histórica no Brasil. Sucesso com o projeto.

      A foto ‘química’ muda com a ação do tempo. A foto ‘digital’ não teria motivos para mudar. É apenas um aglomerado de uns e zeros em um arquivo que, ténicamente, não deveria se alterar durante as cópias ou visualizações. Mas na prática, algo aconteceu com os exemplos mostrados (provavelmente encontraremos muitos) e as alterações foram grandes. Em alguns casos, as alterações nas cores e contrastes não influenciarão no propósito. Em outros pode influenciar.

      Não sou contra a utilização da internet para a visualização das imagens, mas prego a busca por sites com informações confiáveis e/ou pelo site do autor da obra.

  4. Amigos,

    Belo texto e ótima questão. Adorei o “Desconecte-se, vá em exposições, leia livros…” Filhos já acho mais complicado.

    Mas vou dar meu pitaco: O (des)controle de cores/tonal não é só efeito da rede. Diria que POCUOS fotógrafos profissionais conhecem a técnica suficientemente para TER o controle.

    A grande maioria (olha que estou falando dos profissionais, imaginem o resto) fotografa em JPG, recebendo arquivos já processados automaticamente pela câmera (uns Polarorids digitais), fazem ajustes em monitores descalibrados e entregam qualquer coisa a seus clientes.

    A rede é a ponta final de um processo que, não entendo como, alguns fotógrafos aceitaram perder o controle se igualando aos amadores.

    Abs,
    Marcos Issa/Argosfoto

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