Fotografei em RAW. E agora?

Bem, agora você deverá converter essa imagem para um formato que os outros programas entendam. Existem diversos programas que cumprem esta finalidade. Em alguns você irá efetuar a conversão e deverá salvar a imagem em outro formato para trabalhar com outro programa. Outros permitem que você abra o RAW, efetue diversas alterações e grave a imagem pronta. De qualquer forma, certamente é uma etapa importante já que o resultado da saída servirá como entrada para trabalhar com a imagem. Quanto melhor for a imagem resultante deste processo, maior liberdade você terá para um retrabalho. É claro que irá depender do tipo de imagem que você deseja.

A maioria das câmeras utiliza um sensor que capta apenas a luminosidade de cada pixel. Sobre ele, é colocado um filtro com um mosaico (geralmente) RGB (vermelho, verde e azul) que é o filtro de Bayer. Cada pixel possui apenas a luminosidade da cor correspondente ao filtro que está sobre ele, já que o verde bloqueia as cores complementares e deixará passar apenas o verde. Como resultado é necessário, no mínimo, quatro pixels para que a cor de um pixel seja determinada. Existem processos de interpolação para tentar adivinhar a cor de um determinado pixel. Alguns algoritmos melhores e outros piores, alguns mais rápidos e outros mais lentos. De qualquer forma, é aqui que obteremos uma imagem boa, média ou ruim. Pode ser que a diferença nem seja tão grande (pelo menos visivel nas imagens), mas se você é perfeccionista, basta aumentar a imagem (ou nem é necessário) para ver.

Para efetuar os teste, baixei um RAW disponível na internet. É importante pois você poderá baixá-lo e efetuar os testes no seu programa preferido (ou em diversos). Para testar a nitidez e outros detalhes, baixeo o arquivo IMGP7093.PEF.

Os quadrados vermelhos correspondem as imagens abaixo. Os algorítmos de interpolação utilizados para o demosaico foram o Linear, AHD, VCD, DCB e AMaZE. O linear e AHD estão codificados no dcraw e o AHD é meio padrão em alguns programas que utilizam o dcraw. O DCB pode ser encontrado no site do Jacek Góźdź. O VCD pode ser encontrado na página do Paul Lee. O AMaZE, do Emil Martinec, eu não sei onde o usuário comum pode conseguir. Estava sendo incluído no RawTherapee (não sei se alguém já liberou uma versão compilada) e foi incluído no Darktable (apenas para Linux). Salvo especificação em contrário, os detalhes são recortes da imagem em tamanho original (100%).

Nessa área da imagem, o DCB e o AMaZE foram os melhores. Se você aumentar a imagem (200% ou mais), poderá ver os labirintos e as cores falsas criadas pelos outros algorítmos de interpolação.

Aqui a imagem foi aumentada 200%. Em outras áreas da imagem, as diversas rotinas se saíram relativamente bem, tirando a linear que deixou muito a desejar. Existe um pouco de aberração cromática lateral nas imagens (o AMaZE se saiu melhor)

Aqui é possível ver uma linha ciano e magenta nas laterais da janela/porta. O AMaZE se saiu bem na tarefa. Invertendo as cores da imagem acima, fica bem mais visível a aberração cromática.

Já que o DCB possui opções para a redução de ruído (luminância e crominância) independentes e diretamente sobre o RAW, antes do demosaico (interpolação), resolvi fazer um teste com relação ao ruído apresentado pelo RAW. Para tal, utilizei a imagem P8130360.ORF que foi feita em ISO 3200.

O AMaZE se saiu um pouco melhor que o AHD, mas o DCB gerou um resultado melhor no geral. Os pretos ficaram mais pretos. É claro que você poderá utilizar outras ferramentas para a redução de ruído posteriormente, mas o fato é que você estará trabalhando em uma imagem que já possui menos ruído ‘de fábrica’.

É claro que estes testes não esgotam o assunto. Se você não se importa com este nível de detalhamento ou se ele não influenciará na imagem final, não é necessário se preocupar. Caso contrário, é provável que apenas um algorítmo não resulte no grau de detalhamento que você deseja. Mas já é possível tomar determinadas atitudes para determinadas imagens x uso. Nada impede que você utilize o DCB para reduzir o ruído e o AMaZE para obter qualidade e, depois, utilize uma máscara para obter apenas o melhor de cada imagem.

RAW, GPS e novidades.


Recentemente o André Nery relatou que o Adobe Camera Raw 6.1 incorporou a correção de lente ainda no arquivo RAW (acredito que depois da interpolação e antes da gravação em outro formato para trabalho). Bem, já faz bastante tempo que o ufraw incorporou as correções (vinheta, distorção e aberração cromática entre outras coisinhas) na revelação do RAW. A correção automática é feita pelo lensfun. Tem um tutorial para a inclusão de novas lentes na base de dados.




Agora eu li que a Adobe disponibilizou o GPS Data panel para o CS5. No artigo tem um link para uma imagem e alguns comentários. Eu achei que tem o básico do básico. E em um comentário, seria interessante uma integração com com mapas para informar a localização geográfica da foto. Como? Ainda não tem? O digiKam possui a facilidade há um bom tempo (de tão normal o uso, nem me lembro mais quando começou). É fácil etiquetar uma ou mais fotos com a localização geográfica. Se não estiver nos favoritos, basta colocar o nome do local e mandar procurar (programa a gente manda e não pede). Tem o mapa na janelinha, é possível escolher entre mapa, satélite ou híbrido e, depois, é só clicar no mapa e em OK para que as fotos sejam atualizadas automaticamente. Também é possível utilizar um GPS e, baseado no arquivo gerado por ele, sincronizar as imagens automaticamente. Nada contra softwares proprietários, só acho que eles deveriam estar mais avançados. 🙂




Mas a parte do GPS me deixa com algumas dúvidas. Algumas câmeras já possuem GPS integrado e colocam as informações automaticamente nas fotos. Será que é bom ou ruim? Não sei se todas permitem desligar o GPS mas, colocando as fotos na internet com as informações de geolocalização, pode ser fácil para outros preverem o padrão de alguém. Também seria possível descobrir a residência ou localização de algum estúdio e, se for uma câmera boa, qual a dificuldade de um assalto? Sei lá, apenas me passou pela cabeça enquanto estava escrevendo. Basta utilizar um programinha como o digiKam, baixar as fotos (apenas para facilitar um pouco a vida) e descobrir onde elas fora feitas. É fácil selecionar uma área qualquer do globo e descobrir quais as fotos foram feitas por lá. Como a foto, é fácil descobrir onde ela foi feita e, com mais um clique pode ser escolhido o tipo de mapa e abrir no navegador para mais detalhes.






Para quem tem Windows, já é possível instalar o digiKam, mas fica para uma próxima ocasião.

RAW + DCB + FBDD

Apesar do Jacek Góźdź dizer que não é profissional e o projeto ser apenas um hobby, ele fez um bom trabalho nos algorítimos. Ele não diz que os algorítmos são melhores que qualquer outro, apenas fica feliz por algumas pessoas acharem os resultados usáveis. Apesar da modéstia, é claro que podem existir situações em que um algorítmo pode ser melhor que outro.

Ele implementou os algorítmos utilizando o dcraw. Assim, o dcraw irá trabalhar da forma convencional ou poderá utilizar os novos algorítmos para o tratamento da imagem. Mesmo que muitos programas utilizem o dcraw, é claro que não adianta simplesmente colocar o novo programa no lugar do antigo. É necessário que o programa tenha conhecimento das novas opções. O fato de utilizar o dcraw como base, não é novidade. Programas como o Raw Therapee poderiam implementar os novos algorítmos, ainda mais sendo o código aberto (apesar de ainda não ter entrado totalmente no espírito GPL).

Voce pode ver o resultado do demosaico em DCB demosaicing. Existem comparações de conversão de diversas imagens (basta passar o mouse sobre o programa para ver o resultado). Tire suas próprias conclusões.

Já o FBDD é para a redução de ruido. Ele pode utilizar qualquer algorítmo aceito pelo dcraw para o demosaico, já que trabalha antes dessa fase. Na página FBDD noise reduction pode ser visto um exemplo do FBDD utilizando o AHD. Novamente, tire suas próprias conclusões.

Você pode baixar o executável para Linux ou Windows bem como os fontes na página. É para a linha de comando, mas para converter diversas imagens basta digitar, por exemplo: dcb_dcraw -v -w -W -q 4 *.pef (trocando o .pef pela extensão do RAW da sua câmera).

(25/03/2010) Atualização:
A versão nova possui duas opções para redução de ruído.
-N 1 turns on FBDD noise reduction
-N 2 turns on FBDD noise+chroma reduction

RawTherapee 3.0

Agora é GPL. 🙂

A interface também mudou (para mim melhorou).

Mais informações sobre as mudanças: http://www.rawtherapee.com/?mitem=1&artid=46

Baixar a versão 3.0 alpha1: http://www.rawtherapee.com/?mitem=3&artid=47

Editado:

Mas afinal, se já era Freeware, faz alguma diferença para mim a alteração da licença para GPL?

Depende do seu grau de envolvimento com programação. Em um freeware, geralmente só é liberado o programa executável para uso sem custos adicionais. A diferença para um programa comercial está apenas no valor. Muitas vezes um programa comercial libera uma versão para testes (trial) mas possui algumas restrições: ou nem todas as opções estão disponíveis, ou o programa possui um prazo de validade para utilização.

No software livre (SL) em que uma das licenças é a GPL, além do programa executável também são disponibilizados os fontes. Isto significa que o usuário poderá baixar os fontes e compilar (gerar o programa executável) diretamente no seu computador. Uma das vantagens seria alguma otimização que possa ser feita para melhorar o desempenho do programa.

Com os fontes e se você detém o conhecimento necessário, poderá auxiliar no desenvolvimento, e as correções e melhorias serão disponibilizada para todos os usuários. Também é possível a localização de problemas de funcionamento (bugs) com mais facilidade, já que diversos usuários com conhecimento e tendo acesso aos fontes, poderão efetuar as correções e enviar para os desenvolvedores.

Por exemplo, o usuário detecta algumas mensagens de advertência durante a fase de compilação do programa. Então ele efetua as correções necessárias, informa o erro e já envia as alterações necessárias (como pode ser visto no arquivo rt-warnings.patch anexado no link anterior). O processo facilita o trabalho de quem desenvolve o programa. Faço as alterações, executo um programa (diff) para verificar as diferenças entre o arquivo fonte original e o arquivo alterado e envio o resultado. Quem está desenvolvendo verifica as alterações (para verificar se estao corretas, não influenciam em outras partes, etc) e executam um outro programa (patch) que inclui as alterações no programa original. Pronto.

Depois, um outro usuário que pode não participar do desenvolvimento, pode atualizar todos os arquivos do projeto e receber todas as atualizações efetuadas. Essencial para os desenvolvedores e permite que os que apenas acompanham possam ter uma versão com todas as correções e/ou melhorias antecipadamente. Gera-se novamente o executável e o ciclo continua.

No exemplo acima, após fazer uma cópia do diretório de desenvolvimento, é possível atualizar apenas os arquivos alterados. No caso, apenas a documentação em alemão. Se fossem programas, era possível gerar um novo executável com as atualizações/correções.

Então, se para alguns não faz muito sentido a liberação de uma versão Alpha que significa uma versão incompleta e com grandes possibilidades de problemas no seu funcionamento, para outros faz uma grande diferença. Em vez de um pequeno grupo com recursos limitados (tempo e hardware), o programa agora possui um grupo muito maior de recursos para ser desenvolvido, os erros serem procurados e eliminados em diversas combinações de hardware/software. Lucram os desenvolvedores pela sinergia e os usuários na qualidade.

Para fazer sentido, o SL é uma modalidade onde todos devem estar envolvidos. Se você não tem conhecimento técnico ou não deseja participar no desenvolvimento, pode falar sobre o programa como o Rodrigo. Tabém pode apenas relatar problemas no local apropriado. Pode solicitar melhorias ou dar suas idéias. Auxiliar na tradução dos manuais ou programas. Fazer uma doação para os desenvolvedores (segundo quadro a direita da página). Mas você também é livre para apenas utilizar o programa e ignorar qualquer auxílio.